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Diário de Cannes

Nunca voltei igual de Cannes


9 de junho de 2017 - 11h30

Esta será minha quarta vez no Festival Internacional de Criatividade de Cannes, mas a sensação é sempre como se fosse pela primeira vez. Não sei se é porque Cannes reúne tudo o que eu mais curto, aprender, conhecer pessoas que curtem muito o que eu curto e, claro, celebrar. Sim, quem não sabe comemorar não merece ganhar.

A única coisa que eu tenho certeza sobre Cannes é que eu nunca voltei igual de lá.

Lembro da primeira vez com todas as descobertas, o nervosismo, das filas erradas, da vergonha de fazer feio, de ficar loooonge do Palais, de fazer sampling do meu próprio negócio e puxar papo com todo mundo, do David Droga ao Michel Conrad. Lembro também de entrar no Palais filmando tudo e depois subir no Youtube, nada de lives em 2009. Lembro de ir direto pra área de exposição dos short lists e por lá ficar a manhã inteira, tirando fotos e traduzindo as peças. Lembro de tentar estar ao mesmo tempo em duas, três salas, o que, óbvio, foi impossível. Mas lembro principalmente de voltar de lá e prometer a mim mesmo nunca me satisfazer com o médio ou com o pouco.

Minha segunda vez no festival teve o mesmo encantamento, com menos roubadas e erros, claro. Foi a vez de ficar bem perto do Palais e poder participar de todos os jantares da galera e tomar muito chopp quente na Croisette.

Em Cannes todos têm muito a aprender e a ensinar. A troca de informações e ideias é algo contínuo e enriquecedor. Descobrir que centenas de pessoas no mundo todo dormem e acordam resolvendo problemas como os que a gente resolve aqui no bairro, muda nossa percepção de limites. Me fez pensar que eu poderia resolver problemas pro mundo todo.

Mas, principalmente, lembro de ter vistos todos os caras que eu mais curto na profissão como alunos ouvintes. Ouvindo, anotando, discutindo e, depois, levando pra converser do lado de fora do Palais na hora do chopp. Lembro de entrar numa roda e de ficar discutindo por três horas quais leões de filmes mereciam leão de fato. E lembro do mais importante, descobrir que os caras só são muito bons porque eles estudam muito, experimentam e sempre buscando o novo. Ou seja, mais um ano em que eu não voltaria igual de Cannes.

O terceiro foi o ano de acertar no local, no dia certo de chegar e ir embora e principalmente de qual dia da semana descansar pra aproveitar os que viriam na sequência.

Foi ao ano de assistir o Liquid and Linked da Coca-Cola com o Jonathan Mildenhall dando um show e depois ir trocar uma ideia com ele no 72.

Foi o ano das boas escolhas, de menos horas assistindo filmes – era o ano em que os filmes estavam virando cases – ano de imensas filas que valeriam a pena e de ouvir Michael Gladwell na Debussy e a teoria dos Outliers, que me remetia direto aos aprendizados da minha segunda vez em Cannes, ou seja, tudo estava se conectando e mais uma vez não voltaria igual de Cannes.

Foi o ano de aproveitar o festival ao máximo e de focar no que realmente me interessava. Ano em que o digital estava ganhando novas formas e deixando de ser apenas mídia. Ano em que começamos a discutir o Big Data, as curiosidades do ser humano pelos seus próprios dados e as inúmeras possibilidades que a inteligência artificial poderia trazer pra propaganda.

Voltei tão diferente de Cannes que decidi dar um tempo e tentar novos meios, mais conectados com a realidade de que a revolução digital já aconteceu e ligados nas 3 próximas grandes revoluções que estão por vir: a biotecnologia, a nanotecnologia e a robótica. E como tudo isso pode mudar o ser humano. E, se algo muda o ser humano, nós como publicitários temos que estar muito conectados a isso.

Esse ano estive no SXSW e em alguns dias estarei em Cannes novamente. E aí, como será que vou voltar esse ano? Algum palpite?

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